POD Pensar #20 - Série UbaldiPod - Episódio 15

 Livro A Lei de Deus

 Em Busca da Felicidade



 baixe o arquivo MP3, clicando num dos links abaixo:




Neste UbaldiPod, temos a presença do irmão,  amigo e expositor Afonso Chagas Correia, que é um grande conhecedor dos textos bíblicos, e irá nos ajudar na compreensão do capitulo 15 do Livro A Lei De Deus, do Professor Pietro Ubaldi. Pedimos aos amigos ouvintes que façam a leitura do capitulo antes de ouvirem o podcast, ou ouçam o áudio do próprio Professor Ubaldi no vídeo abaixo.


CAPITULO XV

EM BUSCA DA FELICIDADE

Como a Lei nos faz atingir a
abençoada posição dos bem-aventurados
do Sermão da Montanha, relatado no
Evangelho.

     Se quisermos resumir em duas palavras o assunto que foi desenvolvido até agora nestes
capítulos, poderíamos dizer que falamos da Lei. Temos falado dela, porque ela representa o
ponto central da nossa vida e o caminho da nossa salvação. A Lei exprime o pensamento e a
vontade de Deus e constitui a regra fundamental da nossa conduta.

      Mas, qual é o seu conteúdo? - poder-se-ia perguntar. O conteúdo da Lei, pelo menos no
que se refere ás normas que regem a conduta humana, é bem conhecido no mundo e não nos
cabe repeti-lo. Ele já foi sintetizado nos Dez Mandamentos de Moisés, exemplificado no
Evangelho, explicado pelas religiões e pelos princípios morais aceitos pelo homem. Há milênios
o mundo repete estas verdades. A nossa tarefa não é a de fazer um tratado a mais de moral ou
de religião. Não é deles ou de pregações que temos falta, mas da sua aplicação na vida pratica.

    Nossa tarefa foi só a de demonstrar, também aos que não acreditam nas religiões, que a
Lei está presente e funciona de verdade, trazendo consigo sérias conseqüências práticas as
quais não se pode fugir, sejam de utilidade ou de prejuízo. Quem tiver entendido nossas
palestras saberá agora o que lhe acontecerá se a sua conduta não for aquela que a Lei
estabelece. Não temos falado de infernos longínquos, nem de vinganças de Deus, absurdas
porque Ele não pode ser mau, mas só da Sua bondade e justiça, o que convence muito mais.
Temos falado com palavras de lógica aos homens práticos, de fatos concretos que cada um
com seus próprios meios pode verificar em nosso mundo, fatos cujo sentido só assim é possível
explicar e compreender. Agora podemos claramente entender as razões pelas quais nos convém
seguir o caminho da honestidade, e quão louco é o mundo que provoca o seu próprio
prejuízo, seguindo o caminho oposto. Quem compreendeu tudo isso, torna-se muito mais
responsável pelas conseqüências dos seus atos, porque agora sabe que, quando chegar a
reação da Lei em forma de dor, é porque nele mesma está a causa, e essa dor foi ele quem a
semeou com seus erros. Então só lhe resta resignar-se e iniciar o trabalho de autocorreção.

       Mencionamos anteriormente o Sermão da Montanha, de Cristo. Este Sermão sintetiza em
poucas palavras aquilo em que a Lei quer que nos tornemos, chamando de bem-aventurados
os que atingirem aquele nível superior de vida ao qual o Sermão se refere. Por estas palavras
do Evangelho, a Lei nos diz o que nos aguarda se obedecermos a ela, adquirindo as qualidades
dos mais evoluídos, isto é, sermos humildes de espírito, pacientes nos sofrimentos, mansos,
justos, misericordiosos, limpos de coração, pacificadores etc. Eis as palavras de Cristo, no
Discurso da Montanha:

      “Bem-aventurados os humildes de espírito, porque deles é o reino dos céus. — Bemaventurados
os mansos, porque herdarão a terra. — Bem-aventurados os que têm fome e sede
de justiça, porque serão fartos. — Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão
misericórdia. — Bem-aventurados os limpos de coração, porque verão a Deus. — Bemaventurados
os pacificadores, porque serão chamados filhos de Deus. — Bem-aventurados os
que têm sido perseguidos por causa da justiça, porque deles é o reino dos céus... Alegrai-vos e
exultai, porque é grande o vosso galardão nos céus. . .”1

       Esta é a posição dos bem-aventurados, daqueles que obedecem à Lei. Mas, esta não é a
nossa posição atual no nível humano, cujas “virtudes” de força e astúcia são completamente
diferentes. Procuremos, então, parafrasear este trecho do Evangelho, repetindo-o numa forma
diferente, para ver quais são as reações com que a Lei nos impulsiona para que nos tornemos
os bem-aventurados de que fala o Sermão da Montanha. Este apresenta um aspecto superior
da Lei, mas agora a veremos neste mesmo assunto sob outro aspecto, ou seja, como Ela
funciona a este respeito no nível humano (que na realidade não é o dos bem-aventurados),
mostrando os meios pelos quais a Lei nos estimula a atingir aquela abençoada posição de bemaventurados.
Assim, os homens práticos do nosso mundo, que possam pensar que o Sermão
da Montanha exprime uma filosofia de sonho, verão que, por caminhos diferentes, mais duros,
proporcionados à dureza do homem, ele esta igualmente se realizando em nosso baixo nível de
vida. Vejamos, assim, qual é a posição, não dos bem-aventurados do Evangelho que vivem a
Lei, mas do homem comum do mundo que, ainda não vivendo a Lei, é impulsionado a vivê-la.
Eis, então, como se poderia repetir o Sermão da Montanha, relacionado com este outro ponto
de referência:

       "Bem-aventurados os soberbos, porque eles terão de sofrer tantas humilhações até
aprender a lição de humildade e assim, deles será o reino dos céus. — Bem-aventurados os que gozam demais, só pensando em si e para além dos limites razoáveis, porque terão de
sofrer necessidade e abandono, até aprender a regra da justa medida e do amor ao próximo e,
então, serão consolados. — Bem-aventurados os prepotentes, os ferozes, os guerreiros, porque
tanto serão esmagados pela prepotência, ferocidade e agressão dos outros que se tornarão
mansos e, então, herdarão a terra. — Bem-aventurados os que sustentam e praticam a
injustiça, porque tanta injustiça terão de receber que compreenderão quão duro é ter de estar
submetidos a ela e, então, por terem aprendido sua custa a ambicionar a justiça, desta serão
fartos. — Bem-aventurados os desapiedados, porque não encontrarão misericórdia e, por
demais a invocarem para si sem recebê-la, compreenderão a necessidade da bondade e do
perdão, alcançando, então, misericórdia. — Bem-aventurados os que não são limpos de
coração, porque ficarão tão submersos na ignorância e na maldade, com os conseqüentes
erros e dores, que purificarão seu entendimento, e assim compreenderão a Lei e verão a Deus.
— Bem-aventurados os que gostam de brigas e de disputas, porque pelo fato de não conseguirem
encontrar paz, almejá-la-ão e procurá-la-ão em toda a parte, até que se tornarão
pacificadores, e então serão chamados filhos de Deus — Bem-aventurados os que perseguem
com injustiça os justos, porque tanto serão perseguidos pela sua própria injustiça, que
aprenderão a ser justos, e então deles será o reino dos céus... Alegrai-vos e exultai, todos vós
que quereis rebelar-vos contra a Lei, porque grande é o sofrimento que vos espera e assim
tereis de aprender a lição da obediência, pela qual ganhareis um grande galardão nos céus”.

        Eis como o Evangelho dos Céus, - assim se poderia chamar o de Cristo, - tem de se
traduzir na Terra, para que seja possível realizar-se aqui. Eis como o Evangelho vai tornar-se
realidade viva também para os surdos e os rebeldes. Eis como a Lei se mantém em ação e se
realiza plenamente também em nosso mundo. Seria absurdo que a ignorância e à má vontade
do homem fosse deixado o poder de paralisar a Lei e, com isso Sua obra de salvação. Eis como
Deus, para nosso bem, nos torna bem-aventurados, mesmo se não o quisermos. Ele quer,
custe o que custar, nossa salvação. Por isso, quando for indispensável, usa também o chicote
da dor, porque Ele sabe que um dia a abençoaremos, quando, por este caminho, nos tivermos
tornado bem-aventurados.
      A grande maravilha da Lei é que ela responde a cada um conforme sua natureza. Ela
responde aos nossos movimentos com a mesma exatidão com que um espelho reflete nossa
imagem. Se nossa imagem no espelho é feia, a culpa não é do espelho, mas de nós que somos
feios. Se formos bonitos, a imagem será bonita. Da mesma forma, o tratamento que recebemos
da Lei depende do que somos e fazemos Se somos bons e obedientes, ela responderá com
bondade. Mas, se somos maus e rebeldes, ela nos ensinará o que temos de aprender, com o
azorrague da dor. Cada um pode escolher seu método. Dentro da Lei, porém, todos ternos de
viver. O que dela receberemos, em troca das nossas ações, depende da posição em que nos
situamos diante da própria Lei.

      O Evangelho é pregação para os homens de boa vontade, dispostos a se tornarem anjos.
Já vimos qual o papel que o Evangelho tem de representar quando não queremos tornar-nos
anjos, mas permanecer demônios. Cada um, olhando para dentro de si, pode saber a qual dos
dois grupos pertence e, por conseguinte, o tratamento que receberá por parte da Lei. Por isso,
os bons, se e verdade que podem ser esmagados pelo mundo, nada têm a temer de Deus; ao
passo que os maus, se podem por um momento vencer no mundo, muito têm a temer por parte
da justiça de Deus, que os constrangerá a pagar até o último ceitil. É muito mais seguro e
vantajoso ficar do lado de Deus do que do lado do mundo. Que valem e podem os recursos do
mundo em comparação com os de Deus? Que poderá e quererá fazer o mundo para nos
defender, quando a ele nos escravizamos? E que poderá e quererá fazer Deus para nos
defender, quando Lhe pertencemos?

      Eis que vemos brilhar, no fundo do grande quadro da Lei que estamos descrevendo, a
resplandecente apoteose final dos bons, não importa se desprezados e condenados pelos
poderosos do mundo, apoteose em que se realizarão as palavras de Cristo — "as forças do
mal não prevalecerão".

       Por quanto tempo continuará o homem sem compreender tudo isso? Quantos erros terá
ainda de cometer e quantas dores terá de sofrer, antes de abrir os olhos para ver á substância
da vida? O homem continuará a rebelar-se contra a Lei, a fechar-se no seu egoísmo, a
conceber a vida só individualmente, enquanto a Lei arrasta o mundo para a fase orgânica, em
que os elementos das grandes coletividades colaboram fraternalmente. Quantas lutas serão
ainda necessárias para se chegar à compreensão recíproca e assim coordenar os esforços de
todos para comuns finalidades de bem? Quantas experiências dolorosas serão ainda
necessárias para se aprender a não provocar as reações da Lei? Estamos acostumados às leis
humanas que, por serem feitas muitas vezes pela classe dirigente para seu próprio interesse,
parecem estar cumprindo a tarefa de nos ensinar, antes de tudo, a arte de nos evadirmos delas.
Isso porque há luta entre quem manda e quem tem de obedecer. Mas, bem diferente é o caso
da Lei de Deus. Esta não é feita para o interesse d'Ele, mas para o nosso. Então, procurar
evadir-nos dessa Lei não é realizar nosso bem, indo contra quem manda, mas é abdicar de
nossa vantagem e não obter senão nosso prejuízo. Isso porque o domínio da Lei não se baseia
na imposição de quem manda contra quem tem de obedecer, mas na justiça, no amor e na livre
obediência de quem compreendeu. Quanto tempo continuará o homem rebelando-se contra a
ordem da Lei e fugindo, assim, da sua própria felicidade?

     As forças da vida são movimentadas pela Lei, de maneira que a compreensão terá de
chegar. Houve tempo em que o homem acreditou com certeza absoluta na imobilidade da Terra
e na imutabilidade da matéria. Mas, agora entende que a imobilidade e a imutabilidade
aparentes são um estado de velocidade constante, que nos parece sem movimento, porque nós
só percebemos o movimento quando há mudança de velocidade, o que se chama de aceleração.
Da tremenda corrida que, juntos com o nosso planeta, estamos realizando, ou que se
verifica no interior do átomo, não percebemos coisa alguma.

       Da mesma forma, o homem acredita que está vivendo no caos, julgando que somente sua
vontade tem valor, e a ele cabe impor a ordem, a ordem dele. Isto o faz rebelde, num universo
regido pela ordem da Lei, revolta que o conduz ao sofrimento, em virtude do choque contínuo
com Ela. O homem fica apegado às pequenas coisas do seu mundo, acredita com absoluta
certeza na verdade das ilusões deste, porque isto é a que percebe, e não vê que está vivendo
no seio de uma ordem e de uma harmonia maravilhosas.


      Cego para tudo isso, cego para o imenso trabalho que todos os seres e tudo o que existe
estão cumprindo para regressar a Deus na ascese da evolução, o homem, que
trabalhosamente procura estabelecer alguma. Ele corre atrás das glórias humanas e não toma
conhecimento da sua glória maior, - a de ser criatura filha de Deus. Procura as riquezas do
mundo e se esquece das infindas riquezas ao alcance de suas mãos, e que Deus lhe entregará
tão logo ele aprenda a usá-las bem. Ele vai procurando desesperadamente a felicidade e não
sabe que justamente para ela foi criado.
     
      Como pode o verme que fatigosamente se arrasta no chão compreender que nos espaços
a velocidade é gratuita, e que corpos imensos a possuem sem limites e sem esforço? Da
mesma maneira, como pode o homem que trabalhosamente procura estabelecer uma ordem no
seu planeta, campo de lutas desencadeadas, compreender que o universo é um imenso
organismo de ordem e regido pela inteligência de Deus?

      Quando o homem, vítima do seu atraso, resolverá avançar para a conquista de novos
continentes do espírito que o esperam? Quando conseguirá ele, preso na sua forma mental,
quebrar as paredes dessa sua prisão? Quando quererá resolver de uma vez para sempre todos
os seus problemas, evoluindo? Tudo depende de nossa boa vontade e de nosso esforço.



A LEI DE DEUS Cap. 15
Gravações Realizadas por PIETRO UBALDI


POD Pensar #20 - Série UbaldiPod - Episódio 15




Postagens mais visitadas deste blog

PodPensar #23 - Especial com Dr. Maurício Crispim - Série UbaldiPod - A Lei de Deus - Síntese dos capítulos 9 a 16

PodPensar #39 - Especial "Recordações com a Família de Clóvis Tavares" - Série UbaldiPod - (Participação Especial: Irmã Aíla Pinheiro)

PodPensar#40 - Série Ouvidos ao Mistério - Concordância Universal sobre a Queda (com Júlio Damasceno)